Hora de pagar




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HORA DE PAGAR

Hó meu Deus! Estão me alcançando... Socorro! Três cães no vigor de suas forças. Um pula em minhas costas. Sinto seu peso, suas garras e sua mandíbula a perfurar meu ombro. Paro de correr. Retomo o folego. O segundo me alcança, morde meu calcanhar. Sinto os ossos se quebrarem em sua boca enquanto o primeiro desloca meu ombro rasgando minha pele e meus músculos. Não posso chamar o que sinto de dor. É pura agonia. O terceiro para em minha frente, rosna ferozmente e pula em meu rosto... “Marcos acorde, acorde!” Gritava minha mãe. “O que houve?”. “Não sei. Você estava dormindo e começou a gritar, fiquei com medo e vim lhe acordar.” “Obrigado mãe, era um terrível pesadelo” Enquanto lavo o rosto ouço o grito de minha mãe. Na sala cinco chimpanzés destroem seu corpo a deixando em pedaços. Um deles me olha. Não parece um animal, o semblante é de um homem. Pula em meu pescoço seguido pelos demais. É inútil lutar. Sinto minhas funções fisiológicas fora de controle. Vejo meus membros na boca dos símios. Meu cérebro está mais vivo que nunca e meu corpo quase morto. Um deles se aproxima de mim, levanta os longos braços ao alto e os desce violentamente sobre meu peito... “Batimentos ok, ele voltou” O médico afasta o desfibrilador. Estou inteiro. Sinto alívio, mas algo se move por baixo de meus lençóis, desliza em meu peito e aparece se erguendo ameaçadoramente. Uma cascavel me observa. Seu chocalho vibra e o som ensurdecedor parece estar dentro de minha cabeça. Meus ouvidos sangram. Ela dá o bote fatal em meu pescoço. Seu veneno corre em minhas veias, me deixa cego, surdo e mudo. Todos os meus membros queimam por dentro. Tudo escurece. Estou no vácuo, no nada. À minha frente uma tela embaçada. Minha casa, meu laboratório, meu corpo no chão e vários policiais ao redor. Um deles fala: “Que loucura é essa? Cada louco nesse mundo! O desgraçado vivia torturando animais. Esse vai pagar no inferno tanta maldade!” Aos meus pés vários ratos, um deles começa a roer meus dedos...

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