A última hora de Verônica



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A ÚLTIMA HORA DE VERÔNICA

Percebeu que flutuava a dez centímetros do chão. Um piso branco no qual apoiou os pés revelava um grande salão marfim. Ao longe notou um quiosque parecido com loja de conveniência. Na fachada, em neon vermelho, piscava seu nome: Verônica.
Caminhou até à estranha loja, abriu a porta e adentrou em um recinto no qual havia apenas uma cadeira e um balcão. Uma senhora de longos cabelos negros e olhos brancos aguardava Verônica. A mulher estendeu o braço e apontou para a cadeira. Verônica atendeu. “Pode me ajudar?”. “Gostaria de saber o que está...”, “Acontecendo?” Interrompeu a mulher. “Você não pode mais perguntar, seu tempo acabou”.
Verônica sentiu o coração acelerar. Tentou erguer-se, percebeu que estava presa à cadeira, levantou o olhar e se deparou com o par de olhos brancos e sem vida bem próximos dos seus. Apesar dos dentes brancos como a neve, seu hálito era insuportável. A mulher levantou a mão, esticou o indicador em cuja ponta brilhava uma unha tão fina como uma agulha. Verônica sentiu que perdia o controle das necessidades fisiológicas. Suas pernas estavam molhadas e o sangue começou a percorrer velozmente cada veia de seu corpo. A mulher aproximava lentamente a unha do olho esquerdo de Verônica ao mesmo tempo em que repetia: “Olhe para a esquerda, olhe para esquerda...”. Verônica sentia o olho ser lentamente perfurado pela unha da bruxa. Seu medo, dor e desespero eram insuportáveis. Sentiu-se desfalecer.
Acordou e deu um grande suspiro. Estava deitada e notou que estivera amarrada a uma cadeira. Era um galpão sujo e fétido. Todo seu corpo doía. Seu olho esquerdo fechado com um grande hematoma. “Há, você ainda não morreu?!”. Um homem se dirigia em sua direção. “Olhe para a esquerda.”, lembrou Verônica. Virou-se com dificuldade, viu uma pistola ao seu alcance. Apanhou-a, apontou para o homem a menos de um metro de distância. Descarregou todas as balas. Verônica se levantou-se, saiu do galpão, pegou uma carona e continuou viva.

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