Foto de Tama66--1032521
A
ÚLTIMA HORA DE VERÔNICA
Percebeu
que flutuava a dez centímetros do chão. Um piso branco no qual apoiou os pés
revelava um grande salão marfim. Ao longe notou um quiosque parecido com loja
de conveniência. Na fachada, em neon vermelho, piscava seu nome: Verônica.
Caminhou
até à estranha loja, abriu a porta e adentrou em um recinto no qual havia
apenas uma cadeira e um balcão. Uma senhora de longos cabelos negros e olhos
brancos aguardava Verônica. A mulher estendeu o braço e apontou para a cadeira.
Verônica atendeu. “Pode me ajudar?”.
“Gostaria de saber o que está...”, “Acontecendo?” Interrompeu a mulher. “Você não pode mais perguntar, seu tempo
acabou”.
Verônica
sentiu o coração acelerar. Tentou erguer-se, percebeu que estava presa à
cadeira, levantou o olhar e se deparou com o par de olhos brancos e sem vida
bem próximos dos seus. Apesar dos dentes brancos como a neve, seu hálito era
insuportável. A mulher levantou a mão, esticou o indicador em cuja ponta
brilhava uma unha tão fina como uma agulha. Verônica sentiu que perdia o
controle das necessidades fisiológicas. Suas pernas estavam molhadas e o sangue
começou a percorrer velozmente cada veia de seu corpo. A mulher aproximava
lentamente a unha do olho esquerdo de Verônica ao mesmo tempo em que repetia: “Olhe para a esquerda, olhe para
esquerda...”. Verônica sentia o olho ser lentamente perfurado pela unha da
bruxa. Seu medo, dor e desespero eram insuportáveis. Sentiu-se desfalecer.
Acordou
e deu um grande suspiro. Estava deitada e notou que estivera amarrada a uma
cadeira. Era um galpão sujo e fétido. Todo seu corpo doía. Seu olho esquerdo
fechado com um grande hematoma. “Há, você
ainda não morreu?!”. Um homem se dirigia em sua direção. “Olhe para a esquerda.”, lembrou
Verônica. Virou-se com dificuldade, viu uma pistola ao seu alcance. Apanhou-a,
apontou para o homem a menos de um metro de distância. Descarregou todas as
balas. Verônica se levantou-se, saiu do galpão, pegou uma carona e continuou
viva.

Comentários
Postar um comentário